quinta-feira, 7 de abril de 2011

Paciência e Mansuetude

Por Miréia Carvalho (SEEB)
 


Paciência para com o próximo, mas paciência também com nós mesmos.

Os compromissos com horários, os múltiplos encargos a saldar, as providências a tomar simultaneamente, os recebimentos a coletar, as compras a fazer, o trânsito a vencer, o relógio sempre a nos atormentar, nos deixam em clima de neurose e tensão.

A angústia de vivermos sempre atrasados em nossos afazeres cria atualmente uma onda envolvente, que nos transforma em autômatos, sem sentimento nem ponderação. É um dos graves tormentos do homem moderno, pressionado pelas metas empresariais e particulares a cumprir, os objetivos lucrativos estabelecidos. Se priorizamos estes objetivos por 20, 30 40, 50 anos não vai ser em um ano de Espiritismos que iremos mudar.


Como nos fala um sábio: trabalho é meio e vida e não de morte. Se o meu trabalho não deixa tempo para que sejas feliz, repense o seu objetivo de estar no mundo. Se estou em uma doutrina onde acredito nos seus postulados devo criar um tempo para sair desta "neurose".



Como nos fala Ney Pietro: "A irritação, a exasperação, o tormento, o desequilíbrio emocional nunca foram tão acentuados como nos dias atuais. Discutimos, perdemos a calma, criamos inimizades, nos incompatibilizamos pela menor razão: no trabalho, em casa, nas associações, no centro espírita, só vemos hoje brigas e desavenças" .

Estamos vivendo uma fase de muitos conflitos. Nunca estivemos precisando tanto de paciência e calma como agora. Até parece que todos os nossos valores íntimos estão sendo rigorosamente testados. É hora de definições dentro e fora de nós, como se toda a nossa resistência esteja sendo colocada em prova. Observemos tudo isso com muita seriedade e extremo cuidado, pois estamos sujeitos a entrar de roldão e sermos arrastados por essa onda de incompreensão, rebeldia e agressividade. Não conseguimos perceber o que está se passando dentro de nós. Ou os nossos problemas são ocasionados pelo que está fora de nós, ou o ser humano está sempre na defensiva - a mesma dualidade de outrora.


A paciência serena, pacífica, sem reações violentas, calma, branda, tolerante, a aceitação tranqüila, a vigilância ponderada são todas as reações do nosso comportamento que poderão mudar essa atmosfera turbulenta que faz parte da nossa natureza humana, na medida em que nos conscientizarmos da necessidade das mudanças e por elas trabalharmos deliberadamente, seremos colocados a compartilhar com os outros os nossos novos aprendizados. (NEY PIETRO).

Cada um de nós poderá identificar, nos momentos diários, as ocasiões em que deverá aplicar a paciência e a mansuetude. Regras e receitas prontas não irão fazer ninguém mudar, mas nosso irmão Ney Pietro nos dá algumas dicas que são deveras interessantes:


a)    Bendizendo tranquilamente a dor que nos foi enviada, transformando as aflições em calmarias, na certeza profunda de que Deus, através delas, realiza em nós as melhores transformações;


b) Aceitando com amor aqueles colocados como instrumentos do nosso sofrimento, convictos de que a eles males maiores provocamos no passado;

c) Fazendo das dificuldades da vida os obstáculos á contornar suavemente, como exemplificam os rios, que, circundando rochedos, atingem os vales que fertilizam;

d) Fortalecendo a fé na bondade e na misericórdia do Pai Celeste, entendendo que a duração de quaisquer conflitos será sempre menor do que as conseqüências criadas pela maldade dos homens;


e) Reagindo de todos os modos possíveis às induções constantes de desentendimentos, discussões e irritações, silenciando a todo custo os impulsos inconformados de revides, defesas ou justificativas, que possam nos desequilibrar emocionalmente;


f) Evitando no trânsito ou nas ruas as reclamações dos nossos direitos transgredidos pelos outros: uma atitude serena de renúncia desperta muito mais quem, distraído, não percebeu a infração cometida;


g) Suportando sem esgotamentos nervosos os climas tensos dentro de casa, recorrendo à prece e à leitura tranqüilizante, para conseguir o necessário reabastecimento das energias renovadoras.


"A vida é difícil, bem o sei, constituindo-se de mil coisas mínimas que são como alfinetadas e acabam por nos ferir. Mas é necessário olhar para os deveres que nos são impostos, e para as consolações e compensações que obtemos, pois então veremos que as bênçãos são mais numerosas que as dores. O fardo parece menos pesado quando se olha para o alto do que quando se curva a fronte para a terra." (O Evangelho Segundo o Espiritismo).



Hora de recolhimento e reflexão sobre o nosso pensar - sentir e agir. Não foi à-toa que Kardec nos orientou com a seguinte frase: trabalho, solidariedade e tolerância. Trabalho, força construtora e ideológica na formação da nossa personalidade, através dele construiu e significou a nossa vida; solidariedade principio da virtude que determina o valor das nossas ações para com o outro - alteridade, ética e compaixão; por fim a tolerância, irmã gêmea da paciência e da fé. Só tolera aquele que tem consciência da importância da reforma íntima que nos leva a evolução do processo biopsicoemocional do indivíduo.



Finalizando, trago um pensamento de Willian Reich: "trabalho, amor e conhecimento, temos que saber governá-lo, conhece-te ou devora-te". Dando continuidade ele nos orienta que na vida para chegarmos ao coração teremos que primeiramente trabalhar a nossa RAIVA (ligados a traumas e recalques na infância com pai e mãe); segundo a tristeza (trabalhar as frustrações e saber ouvir o não do mundo e das pessoas) e por fim chegar ao coração, sede da compaixão, da felicidade e da humildade. " Espíritas, segue este primeiro mandamento AMAI-VOS e depois o segundo INSTRUÍ-VOS". Só através da educação o homem irá reformar-se. CONHECI-TE A TI MESMO (auto-educação) E REFORMA-TE (para conviver com o seu próximo).

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